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domingo, 29 de setembro de 2013

O brilho de uma estrela

A deusa da juventude, da mocidade. Seu trabalho é distribuir o néctar da imortalidade aos outros deuses. Essa é a definição do nome Hebe, segundo a mitologia grega. Após um ano de seu falecimento, a comunicadora Hebe Camargo se mantém eternizada na TV brasileira.

Vinda de uma família humilde, a caçula – que não pôde completar os estudos – se aventurou como cantora na Rádio Tupi, aos 15 anos de idade e, desde então, não parou mais. Sofreu preconceito ao ingressar no rádio e na TV, que na época não eram vistos como “trabalhos dignos”, principalmente para uma mulher.
Convidada por Assis Chateaubriand para cantar o Hino da Televisão na primeira transmissão ao vivo, na TV Tupi, Hebe faltou ao evento, sendo substituída por Lolita Rodrigues, que veio a se tornar sua amiga de longa data. A pioneira faltou por ter achado a letra do hino horrível e de mau gosto, tendo preferido acompanhar seu namorado em um evento. No entanto, sua vida foi dedicada a esse meio de comunicação, cuja inauguração rejeitou.

A rainha da TV passou por muitas emissoras, mas consagrou o status absoluto no SBT. Os selinhos em celebridades, a risada marcante, a energia com que conduzia o programa, o conforto de seu badalado sofá e a coragem para protestar pelo povo tornaram Hebe Camargo um ícone.

Falecida em 29 de setembro do ano passado, devido a uma parada cardíaca ocasionada por complicações do câncer detectado em 2010, a célebre apresentadora já recebeu inúmeras homenagens póstumas. A prefeitura de São Paulo deu seu nome a uma avenida na zona sul da cidade, em 20 de outubro de 2012. O teatro do CEU Paraisópolis foi renomeado para CEU Paraisópolis – Hebe Camargo. Em março deste ano, foi inaugurada a Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer, no estado de São Paulo.

Hoje a animadora é um mito. Homenagens em redes sociais são freqüentes, seja por parte de artistas, ou por parte dos fãs, que fazem, até hoje, campanhas para que o dia mundial do selinho seja comemorado na data de sua morte.

Uma de suas características mais marcantes era a alegria de viver. A positividade da estrela era contagiante e seus convidados eram bem tratados, independente de estarem no auge ou no início da carreira. A madrinha do Teleton era acolhedora, carinhosa e acessível.

Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani é atemporal. Seu bom-humor e sua humildade serão eternamente lembrados. Uma mulher que conseguiu crescer e conquistar seu espaço em meio a grandes homens. A deusa da televisão brasileira não só entra na história, como também deixa seu legado nela.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Old, But Gold #5

Hoje, não sei o porquê, mas me lembrei da Hebe. Senti muita saudade da rainha da TV. A emoção tomou conta de mim ao ver vídeos sobre seu enterro, mas vamos espantar essa vibe tristonha ao relembrar de um momento épico na TV, quando a gracinha recebeu Mariah Carey em seu programa, em 1999.

O vídeo é cômico. Não sei se é a qualidade do som, mas a voz da Hebe está bem "estendida", na palavras de um comentário do mesmo, "A Hebe tá falando que nem uma cabra". Mariah fez uma performance de My All, bem sofrida por sinal, com o playback exalando (who cares?). A diva foi aclamada por fãs chorosos, vide os gritos "beautiful" e "gorgeous" em torno de 3:32.

O melhor do vídeo vem depois: Hebe tentando descrever Mariah. "Super cantora romântica, as pessoas querem pegar na MUA, MAYAH, MUAURUAIA. Como ela é aceeeessssssííííívvveeellll". É notável a excelente forma da Hebe, na época, com mais de 60 anos e fazendo bonito com essa botinha estilosa e a roupa (quedê?) mínima.

A rainha dos anos 90, com cara de paisagem, enquanto a loira do SBT grita pelo anjo trazido pela fã também é memorável. A menina só falta se derreter, achei que não fosse encostar na Mariah. A coitada se mostra sábia e ao conversar com MC, dizendo odiar aviões em inglês e, espontaneamente, Hebe Camargo finaliza: "I hate plane, mar veio! É porque o amor é maior!". Ela era a melhor... realmente faz falta.